Um edifício industrial escultórico que transforma a simplicidade numa afirmação arquitetónica poderosa.
Este armazém industrial está localizado em Águeda, Portugal, numa zona sem referências arquitectónicas e rodeada por floresta.
Arquitectura
Sem referências relevantes e com um programa composto por uma área de armazenamento de produto final, uma zona de carga e espaços de escritório, a proposta pretende refletir a simplicidade da solução, dada a simplicidade das exigências.



Partindo da forma — um retângulo — que permite utilizar ao máximo a área de armazém (a função principal), uma fração desse espaço é reservada para os escritórios, posicionados na zona mais próxima da entrada.
Esta área de escritórios marca a entrada do edifício. Trata-se de um elemento de exceção: monolítico, simples e despretensioso.




Esta exceção nasce da deformação da forma original, inspirada numa das técnicas utilizadas pela empresa na produção de bases de duche e banheiras: o *vacuum forming*.
Essa deformação expressa uma linguagem visual extremamente forte, acentuada pelo uso do branco — em contraste com o cinzento-escuro do restante pavilhão — e pela semelhança com a tonalidade esbranquiçada que os materiais plásticos adquirem quando são deformados.
Igualmente deformada é a malha quadriculada, originalmente sobreposta ao espaço, que reforça essa linguagem, acentuando a deformação e criando uma dinâmica visual e formal que sublinha o caráter humanizado da zona de escritórios.




Dando continuidade à linguagem usada no exterior, os materiais aplicados no interior são uniformes e de tonalidades neutras, recebendo um toque de calor através da utilização de carvalho, que confere um caráter mais doméstico ao espaço, sem contudo quebrar a sua função principal: a de pavilhão industrial.
Por esse motivo, mantém-se um contacto visual permanente com o pavilhão e com a sua função de armazenagem. Esse contacto é levado ao extremo por uma vasta e contínua parede envidraçada na zona de receção, revelando traços de exibicionismo e orgulho profissional. Estes momentos repetem-se por toda a área, destacando-se também a janela da copa, semelhante a um enquadramento em movimento.






A formalização deste pavilhão assenta em contrastes, como forma de valorização e humanização dos espaços — sejam eles industriais, comerciais ou residenciais.


Publicações impressas
Créditos do projecto
Início / Fim
2016/2019
Área bruta
2543 m2
Direcção criativa
Paulo Martins | Arquitecto
Colaboradores
Bruno Alvarinhas | Arquitecto
Equipa de engenharia
Miguel Mendes Engenharia
Créditos fotográficos
Ivo Tavares Studio
Materiais usados
Alumínios
Technal
Revestimentos exteriores
Painel Compósito de Alumínio, Chapa de Alumínio Corrugada
Pavimento exterior
Betão, Mistura betuminosa, Terra vegetal
Tomadas
Efapel

