Inserida num lote de geometria irregular e rodeada por construções de pouco valor arquitetónico, esta moradia surge como uma consequência direta das suas condicionantes.
Se, por um lado, existe uma relutância em relacionar visualmente os espaços interiores da moradia com a sua envolvente imediata, por outro, há um desejo incontrolável de virar toda a casa para nascente, em direção a uma vista de beleza estrondosa e discreta privacidade.
Outra condicionante é o facto de a sua orientação não ser ideal: a vista é predominantemente a nascente, a sul encontra-se o limite do terreno e a poente situa-se uma estrada nacional, com o café da aldeia do outro lado da rua…
Assim, surgiu a necessidade de introversão e de hermetismo, fazendo o volume construído emergir como um corpo inerte, mimetizando a natureza e assumindo a exceção na sua ala nascente, cuja deformação volumétrica declara e acentua a sua vontade de abertura e submissão às paisagens que se estendem para além dela.
Arquitectura
As suas formas são irregulares, as suas cores são terrosas, e as aberturas nas suas elevações são quase inexistentes, surgindo sob a forma de pátios e claraboias, visíveis apenas a partir de pontos mais elevados.



Percorrendo as sucessivas rampas encontradas desde a entrada deste terreno, chegamos a um momento de transição entre interior e exterior, anunciado pelo seu revestimento em madeira de roble — um excecional superlativo e convite a entrar pela porta de grandes dimensões que separa o exterior hermético e misterioso do seu interior puro e acolhedor, com espaços generosamente iluminados por luz zenital orientada para o vale, onde a névoa denuncia a passagem de um rio.



Uma clara dualidade entre exterior e interior sublinha a ideia de desinteresse da moradia pelas relações com a sua envolvente imediata, sem que isso prejudique as dinâmicas existenciais do seu interior.








Programaticamente, as áreas sociais da casa orientam-se para nascente (vale) e as zonas íntimas para poente (estrada). Estes espaços são separados por um amplo pátio interior em torno do qual é possível circular, criando dinâmicas espaciais e visuais enriquecidas.














Créditos do projecto
Início / Fim
2015/2018
Área util
696 m2
Direcção Criativa
Paulo Martins | Arquitecto
Colaboradores
Bruno Alvarinhas | Arquitecto
Equipa de engenharia
R5 Engineers
Construcção
Fecha Coutinho Construções
Créditos fotográficos
Ivo Tavares Studio
Used Materials
Alumínio – Technal
AVAC Daikin
Revestimento exterior
Etics, Ipê
Pavimento exterior
AMOP
Tomadas
Efapel
Iluminação
Climar
Loiças sanitárias
Roca / Sanindusa
Electrodomésticos
Bosch / Elica